Demoro lenta e suave a ver-te fugir.
Estou aqui
a ser a tua ausência.
ergo sum
~ amanhado pela comadre margarete ~ ausência, encontro, fuga ~ Terça-feira, Abril 22, 2008 1 despiques
remorso matado
Hoje
chegada
falo a verdade que ontem aldrabei
o remorso morreu na contrição da razão.
~ amanhado pela comadre margarete ~ obras, remorso, ressaca, sentidos, ser ~ Quinta-feira, Abril 10, 2008 0 despiques
Post-Scriptum
Se não vieres
manda embora os dias, por favor
rasga as águas.
~ amanhado pela comadre marta (doavesso) ~ amor, ausência, água ~ Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008 0 despiques
[ na delonga da devolução ]
Ardem no sal os meus membros
enquanto a devolução espera
o prazo dos sujeitos desalmados
manda embora os dias, por favor
quero nadar sem dor
quando nado
quando o mar és tu. Apenas tu.
~ amanhado pela comadre margarete ~ amor, dor, mar, saudade ~ Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008 0 despiques
Recado
O silêncio arrecada-me assim,
quando sem que saibas
a maré me devolve a ti
e tudo recomeça nos teus braços.
~ amanhado pela comadre marta (doavesso) ~ amor, saudade, silêncio ~ Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008 0 despiques
[ quando o mar és tu. Apenas tu. ]
A música devolve-te
neste modo de respirar,
quando canto,
quando não te alcanço os lábios.
O silêncio arrecada-me
neste modo de respirar,
quando nado,
quando o mar és tu. Apenas tu.
~ amanhado pela comadre margarete ~ amor, ausência, silêncio ~ Quinta-feira, Janeiro 31, 2008 0 despiques
[ resumo ]
pelas partes baixas. Fico sem pingo de sangue nestas mãos
antes que chegue o tempo
de deitar o coração às flores
os dias são amenos quando chego ao fundo das palavras, colo duas escrituras nossas,
num resumo,
sou grata por estares nelas comigo,
feliz aniversário, comadre
~ amanhado pela comadre margarete ~ Domingo, Janeiro 27, 2008 1 despiques
abandonos
Frente a cada livro cifrei-me
procurávamos a felicidade
num lugar comum com coisas
pequeninas toadas adoradas
tolhemos a razão
sentidos da mendigagem.
~ amanhado pela comadre margarete ~ sentidos ~ Quinta-feira, Janeiro 24, 2008 4 despiques
(No que de precioso tem a minha memória )
Valdevina
A morte insurge-se
Maior que o amor
Nada se assemelha a um grito
Eu sem a avó
batendo os pés violentamente no soalho
recolher-me-ei
magoada na própria velocidade.
Quero a avó velhinha
Quero a minha avó velhinha a colher-me
Quero aqui e agora o amor
Exijo o regresso das suas mãos
Que equívoco é este? Recuso a morte do amor.
Que sentido tem que o regaço seja indefeso da morte?
Contra o esquecimento esgravato a terra
No que de precioso tem a minha memória
Luto contra a brutalidade dos dias
Ausentes em vida.
A vida não podia ter sido mais forte que nós.
~ amanhado pela comadre margarete ~ amor, avó, grito, memória, morte, regaço ~ Sexta-feira, Janeiro 18, 2008 0 despiques